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Concelho de Alcanena
A História
A
fundação da Vila de Alcanena remonta, segundo alguns
historiadores, à ocupação árabe na
Península. Os árabes, que terão entrado neste
território por volta do século XI e que terão
permanecido durante cerca de 400 anos, terão dado o actual
nome à vila: Alcanena. Assim, segundo as duas versões
toponímicas originais, Alcanena pode ser traduzido por
ALCANINA" (cabeça seca) ou "ALKINAN' (lugar sombreado)
A vila
terá sido tomada pelos portugueses no reinado de D. Sancho I,
que teve grande importância no seu povoamento.
No decurso da
história, Alcanena sofreu com as lutas com Castela e, mais
tarde, com as invasões francesas e com as lutas liberais entre
D. Pedro e D. Miguel.
Terra liberal
por excelência, o concelho vibrou com a
Implantação da República, em 1910, tomando parte
activa na proclamação que teve lugar nos Paços
do Concelho de Torres Novas, de que ainda era freguesia, na
sequência de uma luta guiada pelo lema "Para o País
a República, para Alcanena o Concelho".
A 8 de Maio de
1914, foi promulgado o Decreto-lei n° 156, assinado pelo
Presidente da República, Dr. Manuel de Arriaga, e pelo
Ministro do Interior, Dr. Bernardino Machado, que elevou Alcanena a
Concelho, numa área anteriormente pertencente aos Concelho de
Torres Novas, Santarém e Porto de Mós. Nasceu,
então, neste ano um novo município, integrando as
freguesias de Alcanena, Bugalhos, Minde e Monsanto, desanexadas ao
Concelho de Torres Novas, e as de Louriceira e Malhou do Concelho de
Santarém. A freguesia da Serra de Santo António seria
criada mais tarde, em 1918, por desanexação da
freguesia de Minde; Vila Moreira em 1929, por
desanexação da freguesia de Alcanena; Moitas Venda em
1925 por desanexação também da freguesia de
Alcanena e finalmente a freguesia do Espinheiro, em 1928, desanexada
da freguesia de Abrã, do Concelho de Santarém.
Contudo a
autonomia, por lei, chegou apenas em 1914. Não há
dúvida de que Alcanena, desde cedo, se começou a
evidenciar pelas características das suas actividades
económicas, com especial destaque para a indústria de
curtumes, em Vila Moreira, e a indústria de malhas em Minde. A
administração directa de um território de 127
km2, permitiu, em larga medida, superar o abandono e a pouca
atenção a que estava votada Alcanena, face ao seu peso
e à importância económica.
As
décadas que se seguiram à criação do
Concelho são décadas de substancial desenvolvimento
infra-estrutural acompanhadas de algumas intervenções
que impõem a capacidade e a afirmação de autonomia.
Hoje Alcanena
é, talvez, o concelho mais industrial do distrito e os
curtumes constituem a riqueza principal do concelho, uma
tradição alicerçada nos últimos duzentos
anos. No entanto, as actividades económicas têm-se
diversificado, e Alcanena procura integrar o seu progresso industrial
numa perspectiva moderna de desenvolvimento para as
populações do Concelho.
Vestígios
do Passado
É
natural que a ocupação, em Alcanena, remonte,
provavelmente, ao Paleolítico Inferior, com toda a certeza, ao
Neolítico, já que no território do Concelho se
encontram várias Estações Arqueológicas
que atestam a presença do homo sapiens. Carrascos, Galinha e
Marmota são as mais importantes necrópoles deste
período, situadas em Monsanto, Vila Moreira e Raposeira
respectivamente. Todas elas têm sido objecto de
prospecção e estudo a partir de 1908, com especial
destaque para os trabalhos pioneiros de Almeida Carvalhais e
Félix Alves Pereira, grandes historiadores do século passado.
Do trabalho
destes estudiosos, resta hoje um alucinante espólio depositado
no Museu Nacional de Arqueologia e Etnologia, bem como uma vasta
documentação fotográfica dos trabalhos de campo.
Atestada a
presença humana no território do actual Concelho de
Alcanena desde a pré-história, é de crer, face
à sua posição geográfica e
características naturais, que essa presença tenha sido
contínua ao longo da história.
Situação
Geográfica do Concelho
Situada
na região do Ribatejo, a Noroeste do Distrito de
Santarém, o território do Concelho de Alcanena conta
com aproximadamente 15000 habitantes, dispersos pelas 10 freguesias -
Alcanena, Bugalhos, Espinheiro, Malhou, Louriceira, Minde, Moitas
Venda, Monsanto, Serra Santo António e Vila Moreira -
englobando uma área de 127,8 Km2, situada na encosta das
Serras D'Aire e Candeeiros, numa zona de solos férteis e
significativos recursos hídricos. A nível concelhio,
Alcanena faz fronteira com os municípios de Ourém a
Norte, Santarém a Sul e Sudoeste, Torres Novas a Este e a
Oeste pelo distrito de Leiria, este já pertencente à
região da Estremadura.
A Estrutura
difere em três limites: a Oeste é limitado pela Serra
dos Candeeiros; a Noroeste, as camadas calcárias dão
lugar aos arenitos cretáceos do sinclinal de Ourém; a
Sudoeste, o jurássico cavalga os planaltos pliocénicos
que constituem a bacia terciária do Tejo, ela é
constituída, nesta área, por planaltos de
calcário, onde se encaixa a rede hidrográfica do Rio Alviela.
Sob o ponto de
vista morfológico, a norte da bacia do Tejo, é
constituído por cinco subzonas de onde se destaca a serra
D'Aire ( onde se encontram as superfícies mais elevadas - 677
m), o Planalto de São Mamede (com superfícies entre os
456 e 495 metros), onde se destacam as Grutas de Santo António,
o Polge de Minde (bacia de fundo plano, com altitudes na ordem dos
190 metros), que separa o planalto de Santo António do de
São Mamede. e da Serra D'Aire.
Em termos
orográficos, a paisagem de grande valor estético e
cultural é de contrastes onde a Norte e Poente a serra se
espraia entre as vertentes agrestes e a sul se estende
progressivamente pela planície, até aos limites do
horizonte. Integra a sub-região do Médio Tejo, e em
termos turísticos, a região de Turismo do Ribatejo.
As acessibilidades
O concelho de
Alcanena encontra-se bastante privilegiado em termos de
acessibilidades, com excelentes estradas em seu redor, o que
constitui um ponto forte do concelho de Alcanena. Pois,
aproximadamente a 2 km encontramos o nó da A1 que nos liga a
Lisboa e Porto em relativamente pouco tempo, e a A23 que nos liga
directamente à fronteira com a nossa vizinha Espanha.
O
município é percorrido por uma rede viária com
340 km. No entanto, a A1 e a A23 constituem, indubitavelmente, os
dois eixos rodoviários mais importantes.
Alcanena
é ainda servida pela EN361, bem como outras estradas nacionais
e municipais bem direccionadas que permitem uma boa acessibilidades,
quer a outros pólos urbanos limítrofes, quer a todas as
freguesias. O acesso entre as freguesias do concelho é
fácil, graças às razoáveis redes de
transportes públicos existentes.
Características
económicas
São
muito positivos os indicadores sócio-económicos do
concelho de Alcanena, no contexto do distrito de Santarém. O
que não impede que surjam algumas preocupações
com problemas derivados da poluição, com a incapacidade
para fixar a população e com o fraco desenvolvimento do
sector terciário.
Alcanena
é o concelho mais industrializado do distrito de
Santarém, beneficiando de uma insignificante taxa de
desemprego. Outros bons indicadores apontam a quarta menor taxa de
analfabetismo do distrito, a par da quarta mais elevada percentagem,
da população com nível de
instrução. Quanto à distribuição
da população empregada por sectores, verifica-se o peso
esmagador da industria, que emprega aproximadamente 64.22% da
população, sendo de longe o distrito onde este sector
tem maior importância relativa. O Concelho é marcado
pela indústria, predominando os curtumes, em Vila Moreira; e
os têxteis, em Minde, ambos de grande tradição
local, e sobretudo, de significado nacional. Este aspecto, traduz um
valor muito importante para o concelho, embora constitua um ponto
fraco, devido à excessiva dependência do concelho
relativamente à indústria de curtumes e de
têxteis. O comércio e os serviços apenas empregam
31% da população empregada, sendo o concelho do
distrito em que o sector terciário tem menor peso relativo. Em
termos de emprego, a agricultura é quase insignificante, com
apenas 4,60% da população.
Com todas
estas dependências, os empresários queixam-se da falta
de ensino e Formação Profissional dirigida às
necessidades das indústrias e da falta de pessoal qualificado.
Presentemente o concelho debate-se com a dificuldade em fixar a
população flutuante no concelho, sendo significativo o
número de pessoas de concelhos vizinhos a trabalhar em
Alcanena. O fraco desenvolvimento do sector terciário é
considerado um outro ponto fraco, assim como a incapacidade de atrair
novos investimentos industriais fora das indústrias de
curtumes e têxteis. Razões apontadas para esta
situação prendem-se com o custo elevado dos terrenos,
com a falta de uma zona industrial e com o elevado custo dos
salários. A existência de boas infra-estruturas
ambientais é considerada um ponto forte, colocando a
indústria de Alcanena numa situação exemplar no
nosso país. O forte desenvolvimento industrial é
considerado um outro ponto forte, onde se destaca a existência
de um tecido empresarial saudável, sólido e
flexível, com efeito multiplicadores a montante do sector dos
curtumes. Outro ponto forte é o bom apetrechamento
tecnológico e a experiência acumulada da indústria
de curtumes, e as boas relações com os mercados estrangeiros.
O centro
tecnológico das indústrias do couro em Alcanena foi
apontado como uma potencialidade. O pleno emprego, a qualidade de
vida relacionada com o elevado poder de compra e o rendimento per
capita superior à média são considerados
virtualidades concelhias.
As
potencialidades turísticas do concelho são consideradas
um outro ponto forte, pese embora a falta de estruturas hoteleiras,
destacando-se as boas condições naturais do Olhos
d'Água e do Parque Natural das Serras de Aire e Candeeiros.
Património
Natural
Uma área
considerável do Concelho de Alcanena (região norte)
está integrada no Parque Natural das Serras D'Aire e
Candeeiros (PNSAC), paisagem deslumbrante e variada, com solos
argilosos coloridos de ocre, e oliveiras, cobrindo milagrosamente a
terra saídas de um solo de pedras de que toda serra é coberta.
O encontro
entre a Serra D'Aire e Candeeiros, nesta região, marca o seu
relevo pela altitude, conferindo à paisagem
características naturais e humanas únicas. Possui
também grande diversidade de fauna e flora, que constitui um
pólo de interesse para todos os que procuram no turismo rural
um contacto pleno com a natureza. As transformações
cársicas únicas - grutas, algares, etc., - são o
património natural mais característico. É
constante, a água que sabemos estar sob os nossos pés
em extensos canais subterrâneos.
Entre as
pegadas dos Dinossauros e outras grutas existentes em redor do
concelho, existe dentro do mesmo as chamadas Grutas de Santo
António, as mais belas grutas de Portugal.
A flora e a
vegetação do PNSAC reflectem as condições
ambientais dominantes, mas, sobretudo, a influência da fauna
turística que se traduz em mais de 600 espécies de
plantas, e a existência de tipos de vegetação de
alto valor científico conferem a esta área protegida
uma importância relevante em termos nacionais. Com cerca de 200
espécies de vertebrados, o património faunístico
do PNSAC espelha, sobretudo, as aves, as condições
oferecidas pelos principais biótipos aqui presentes, isto
está bem patente, por exemplo, no número de
espécies de morcegos cavernícolas (onze) que apresentam
quase metade das restantes espécies de mamíferos do
PNSAC, o que levou à sua eleição como
símbolo desta área protegida. Salienta-se, ainda, a
existência de numerosos anfíbios, representados por
treze espécies, número elevado no contexto nacional se
se tiver em conta a manifesta secura superficial do território.
Informação
obtida a partir do suplemento do jornal "O Alviela"
de 30 de Abril de 2004 no âmbito das comemorações
dos 90 anos do Concelho de Alcanena.
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